Era segunda. Ainda estava naquela linha de "não sei o que faço da minha vida". Foram dias bons, aqueles dias em que eu não fiz nada. Dias de folga de um "ter que fazer". Naquela segunda, depois da prova, fui para o laboratório de informática. Entrei no Facebook. Minha razão de viver nesses últimos dias era ter alguém para conversar. Olhei quem estava online. Ninguém com quem eu falava geralmente, mas a primeira pessoa da lista era Jean. Estranho, na lista sempre aparece primeiro as pessoas com quem você mais fala. Talvez essa seja uma memória falsa, mas me lembro dele no início da lista. E como, então, eu andava falando com pessoas a mais, criando extras na minha vida, conversando com pessoas com quem eu nunca falava antes, dei oi.
Jean não está interessado na conversa. Será que o aborreço? Será que está ocupado? Vou perguntar. Ele diz que não. Bem, eu deveria estar ocupada... Com tantos trabalhos da faculdade para fazer! Mas já vou sair do Facebook, só estou aqui um pouco, esperando novamente que algo extraordinário aconteça, que algo me jogue no ar como terremoto e me dê impulso: os dias de férias estavam chegando ao fim, afinal...
Tive uma ideia. Vou conversar com ele como converso com as pessoas que gosto. Sinceridade nos detalhes. Conto-lhe que outro dia, sonhei consigo. Apenas lhe contei um fragmento de um dos sonhos: estava sentada em sua sala de estar, no chão. Ele, sentado em uma cadeira, lia um livro, e me ensina alguma coisa. Não contei que esse sonho foi a meses atrás, não contei que esse fragmento vem depois de fazermos amor e antes de nos amarmos novamente, não contei o quanto eu havia gostado de sonhar tudo isso. Disse que não lembrava do resto e não sabia por que tinha tido esse sonho. Você é a psicóloga, deveria saber! me diz ele. É melhor não querer não saber o significado desse sonho, engasgo eu. Com isso, ele se interessa.
Dessa conversa, surgem muitas possibilidades. Algo extraordinário aconteceu: depois de mais de um ano de sonhos com Jean, pela primeira vez tenho uma conversa realmente pessoal com ele, em que ele me dá a certeza de que é possível termos algo. De repente, na nossa realidade você crie déjà-vu de meus sonhos, me diz ele. Desejo que os sonhos dele sejam os mesmos que os meus... Tive aquele sonho onde ele me ensina alguma coisa. Jean, queres me ensinar algo? E ele me responde: E você, quer aprender?
Quero.
Com isso, vamos nos encontrar. Estou só expectativas. Como seria encontrar o Jean depois dessa conversa? Eu, que só conheci o Jean mestrando, acadêmico disciplinado inteligente e caprichoso, pupilo do professor carrasco. Fiquei surpresa com a pressa dele em me ver. Não pudemos nos ver naquele dia, eu tinha um encontro com a Mayara, e depois me dei conta que ele não estava com pressa, era apenas cômodo porque segunda era o dia em que viria para a Universidade. Não tem problema, pensei. Que quero eu? Não sou eu quem não quer nada sério agora? Não sou eu quem está apenas se aventurando? Aventura é assim mesmo: sem hora, sem burocracia...
Mas essa aventura me tomou, quando me dei conta que o desejava muito. O dia todo não podia deixar a minha mente fluir que ela acabava em seu sexo. Era chamas o tempo inteiro. Era coisa do corpo, era vontade de fazer amor, de suar, de derreter, de me derramar. Queria me derramar. Fomos conversando e eu queria mais: queria me atrever. Quem sabe, com esse homem que desejo tanto, possa unir o erotismo do desejo com a poesia do amor? Sem pressa para o amor, com urgência para o desejo. Quero tê-lo logo. É sexta, são quatro dias depois que o abordei, não vou conversar com ele hoje. Mas a noite terei livre! Mas é melhor esperar, vamos ver se ele tem interesse. Mas talvez ele esteja esperando uma iniciativa! Decidi apostar: se alguém falar o nome JEAN hoje, eu o chamo para beber.
Grupo de pesquisa, amigo secreto, piquenique, fofocas de PPG, e alguém tenta lembrar: como é o nome daquele aluno, mesmo? Ah, Jean!
Não tem jeito. Quando faço essas apostas, cumpro. É quase como se eu acreditasse que é coisa do destino. O máximo que vai acontecer? Ele dizer que não quer. E daí? Tanta coisa para fazer...
Planos para hoje? pergunto. E assim marcamos. De um temporal nos encontramos, conversamos, nos beijamos, nos abraçamos, nos tocamos, nos confessamos. Na tranquilidade de não haver amos, de não haver algo absurdo além do desejo, de haver sabor em nos encontrarmos.
Por fim, continuo desejando. Espero... Porque vai ser meu sonho em déjà-vu...
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